Mybtt's Blog

2011/11/13

2011-11-06 – A pé pela Fórnea

Filed under: Passeio pedestre — mybtt @ 01:01
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A pé pela Fórnea

Olha…hoje o gajo não veio de bicicleta!

 

Hoje escrevo aqui para partilhar um passeio a pé e não uma volta de bicicleta. Apesar de o local ser bastante conhecido por causa das voltinhas de bike, já estava ao bastante tempo na mira para uma caminhada. Convidei o Miguel e o João Mendonça que prontamente acederam.

O dia acordou solarengo. Não fazia frio, não estava muito vento e tudo indicava que não ía chover. Um dia perfeito para um passeio.
Deixamos o carro ao lado da igreja dos Alvados e às 8:30 lá fomos nós, passo a passo em direcção à Cova da Velha. Depressa apercebemo-nos que não estávamos sozinhos. Alguns caçadores andavam por ali (ainda não percebo como é que num parque natural com espécies protegidas é permitido caçar) e como estamos na época da apanha da azeitona, também vimos algumas pessoas de volta das oliveiras.

 

Achei piada o resumo que fiz do passeio… «vamos por este caminho, ali cortamos para ir-mos ver uma nascente de água, depois voltamos para trás, subimos o monte pelo lado de lá e descemos por aquela descida aqui ao lado. Não tarda nada estamos no carro outra vez para voltar para casa». Simples, fácil e rápido!
Com alguma conversa depressa percorremos o vale e chegamos à primeira placa com a indicação “COVA DA VELHA”. A partir daqui seguimos ao lado do curso de água com algumas paragens para apreciar a água que corria a montanha que nos começava a envolver, afinal estávamos a entrar montanha adentro!

 

A montanha vista de baixo

 

Local de culto?

 

Água…a rainha da montanha

 

 

 

Água mole em pedra dura…

 

Uma cascata para embelezar o percurso

 

Seguimos o rio até à “nascente” – a Cova da Velha – O trajecto é relativamente fácil. É aquele caminho e aquele mesmo e como está marcado, não tem nada que enganar.
Acredito que com o aumento do caudal, a dificuldade em chegar à nascente também aumenta, mas certamente que quanto mais água o rio levar, maior será o espectáculo por ele oferecido. Sendo a beleza algo relativo, acho este local belíssimo, um local de rara beleza! O verde da vegetação, o branco da pedra e o sons da água a correr. A montanha que nos envolve, a sensação de como somos pequenos e quão grande é a força da água que com o tempo molda o mundo em que vivemos.

Cova da Velha – É sempre a subir

 

Nascente de água – Cova da Velha

 

João Miguel – a chegada à Cova da Velha

Chegamos à Cova da Velha sem dificuldade. Estava cumprido o primeiro objectivo – ver a nascente de água. Acho que foi mais difícil voltar para trás porque na descida o chão molhado e escorregadio não transmitia grande sensação de segurança.
Depois de uma descida…vem uma subida e como o outro objectivo era observar a montanha do lado de cima…tínhamos mesmo que subir. O percurso é bastante conhecido das voltas de bicicleta, onde normalmente uma parte da subida é feita com a bike à mão. Sim…tenho que treinar mais. Confesso! Também a pé, parecia que a subida nunca mais acabava e próximo do topo encontramos um local abrigado do vento para tomar um segundo pequeno-almoço (diga-se de passagem que, nesta altura do passeio, bastante merecido).

Algures a subir

 

crocus – não pisem as flores

 

Estamos quase lá…ó Paulo onde é que paramos para comer?

 

É aqui! Vamos comer qualquer coisa que já merecemos.

 

O local com uma vista magnífica foi o melhor possível para a pequena refeição. Lá em baixo um grupo de pessoas dirigia-se para a Cova da Velha. Tão perto e tão longe!
Seguimos caminho, contornamos a Fórnea, passeamos pelo alto da serra, apreciamos os muros de pedra, os animais que pastavam, a vegetação e algumas gralhas que passeavam por cima de nós. Entusiasmados por toda a envolvente serrana, chegamos ao inicio da descida que nos conduzia quase até ao local onde iniciamos o passeio. A sabedoria popular diz “Para baixo, todos os santos ajudam” e com os santos a ajudarem, lá cheguei ao carro com um sorriso na cara e um “brilhozinho nos olhos”, afinal a pé ou de bicicleta…é bom andar no PNSAC – Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros.

Vista do pequeno almoço – I

 

Vista do pequeno almoço – II

Estivemos lá em baixo…

 

Estivemos alem a comer o pequeno almoço

 

E estas aqui, também a comer o pequeno almoço

 

Caminho – Não tem nada que enganar

 

Vamos começar a descer…estamos quase a chegar (falta o quase…é verdade!)

 

A grande descida – a diagonal

 

e pronto…chegamos ao local de inicio, ou seja – o fim!

 

Grande José Carlos, quando é que voltas para ir-mos comer uma pizza à pizzaria Vieira?
Um grande abraço do hemisfério norte para o hemisfério sul.

 

2011/11/01

2011-10-30 – Nas ruinas da minha terra

Filed under: Geocaching — mybtt @ 11:53

a minha bike

 

Não tenho andado muito de bicicleta, daí se compreende as poucas entradas do blog este ano.
Talvez os passeios que tenha feito tenham sido demasiado vulgares e com pouco para contar (além de alguns quilómetros que se vão acumulando nas pernas).

O suposto passeio da primavera foi esquecido, o do verão…houve uma tentativa para o fazer, mas o amigo José Carlos resolveu ir para Moçambique. Restaram algumas voltas por perto de casa, uma ida a Minde, algumas passagens por Constância e como continuo a não participar em passeios pagos aqui nas redondezas, pouco resta para contar.

Ontem fui para a cama sem saber o que iria fazer no dia seguinte. Mantinha-se a questão. Será que vou andar de bicicleta?

Quando acordei cedo, como de costume, atrasei o relógio uma hora e as sete horas que marcava, transformaram-se em seis horas (demasiado cedo para pegar na bicicleta). Esperei um pouco e meio a dormir pensei no trajecto e na certeza de ir sozinho.

Ás 7 e pouco, eu a bicicleta, o GPS e a máquina fotográfica saímos do Entroncamento rumo à Moita do Norte para uma visita à Cerâmica Moinho de Vento.

 

Fábrica de telhas – sem telhas

 

A cerâmica, em ruínas, faz-nos pensar que por ali passou uma guerra e que o complexo foi alvo de uma bomba. Talvez a Barquinha tenha tido um passado próspero e talvez noutros tempos produzia-se algo por estas bandas (leia-se…este país).
Apenas o casal de cegonhas lá do alto da chaminé tira partido do que resta da cerâmica. A vista lá de cima deve de ser formidável.

 

Cerâmica Moinho de Vento

 

Cerâmica………..

 

De seguida o GPS conduziu-me aos Fornos de Carvão. Deambulavam alguns caçadores de arma em punho nas proximidades (malta que diz que gosta do contacto com a natureza). Aqui os troncos das árvores transformam-se em carvão para nós nas nossas churrasqueiras grelhar os peixes, os bifes e as belas costeletas.
O “fazedor” de carvão cortava a lenha para os fornos. Pensei se para ele não haveria domingos de descanço e como madrugou (pouco passava das 7:30 da manhã). Talvez a mudança da hora tenha complicado o relógio biológico e à falta de uma bicicleta vai de machado empunho cortar lenha.

 

Fornos do carvão

 

Ao longo do rio via-se um manto de nevoeiro e decidi ir visitar o Castelo de Almourol. Parei no apeadeiro de Tancos e passou o comboio nº 5500 vindo de Elvas para o Entroncamento. Este é um daqueles que tem morte anunciada pelo orçamento de 2012. Nas proximidades do apeadeiro, o nevoeiro fez desaparecer o sol e sentiu-se um acentuado arrefecimento (abençoada roupa de inverno que hesitei em vestir).

 

O Castelo de Almourol envolto no nevoeiro parece saído de um conto de fadas.

 

nevoeiro sobre o rio

 

Castelo de Almourol

 

Faltou os templários agitados, os monstros a sair das águas e os dragões a voarem em volta das muralhas para parecer que estava num filme de Spilberg. Nunca tinha estado aqui com este cenário.
Tirei algumas fotos, sentei-me a contemplar o nevoeiro que passa e senti-me bem.

Não tinha ninguém a dizer”Então…vamos embora?” Estive aqui o tempo que quis e quando quis, fui embora.

Fui até às Casinhas da Aringa onde a geocache surpreendeu-me. A originalidade está a tornar este passatempo cada fez mais entusiasmante, apesar de cada vez aparecerem geocaches em locais sem grande sentido. Gostei desta e apesar do local não dizer grande coisa, o contentor é bastante original. “Se não fosse o geocaching nunca teria vindo aqui”.

 

a casinha da aranha

 

Como estva em terreno militar, a próxima busca foi “Asas ao vento”.

O treino militar, o rastejar no meio do mato aqui podem ser úteis para chegar ao nosso alvo.

 

Mikey mouse – não precisa de rastejar

 

Especialmente para aqueles que gostam de seguir pelo caminho mais curto (que nem sempre é o mais rápido). A preguiça não me deixou rastejar e depois de algumas curvas e contra curvas, fiz o meu log – objectivo atingido- Trouxe uma caneta verde para escrever no logbook.

Daqui fui até à Serração abandonada na Praia do Ribatejo. Toda a zona perto da estação já teve mais vida (inclusive a estação).

 

serração abandonada

 

Um sentimento semelhante ao da Cerâmica apoderou-se de mim…as ruínas e a degradação do local. Aqui também já se produziu algo! Será que havia desemprego no tempo em que estas empresas funcionavam?
Parece-me que não é só a serração que está votada ao abandono. A estação está meio abandonada, a extracção de areia foi abandonada…acho que grande parte do interior do país sofre do mesmo mal.

 

galeria

 

Na serração o sol, entre o nevoeiro, batia na entrada perto do local indicado pela seta do GPS. Ao sol estava uma cobra pequena que à minha chegada se escondeu na sua toca. As osgas, menos tímidas e menos activas pousavam elegantemente para a máquina fotográfica enquanto as cegonhas pareciam bater castanholas.

 

Ósga

 

habitante da serração

 

Continuava sem se ouvir ninguém. O Tejo, passava calmamente, o nevoeiro desfazia-se à medida que o dia ía ganhando vida e no ar sentia-se um cheiro algo desagradável proveniente da celulose do Caima (afinal ainda se produz alguma coisa por aqui!).
Depois da Serração. Segui para “Constância – vila poema” onde mais uma vez a originalidade está em alta.

 

Constância

Uma paisagem graciosa numa manha agradável. O local, por norma, é de paragem obrigatória para contemplar a vila.
Depois de ter tirado algumas fotos e de todas as paragens feita até aqui, foi neste local que decidi “vou regressar a casa” e sem paragens pelo caminho, sempre na maior velocidade que conseguia…fui! Afinal a bicicleta também serve para transpirar um pouco.

 

2011/05/21

20110515 – Ferraria de São João

Filed under: BTT — mybtt @ 23:12

20110515 – Ferraria de São João – Centro de BTT – Aldeias de Xisto

 

O e-mail da convocatória seguiu apenas com uma semana de antecedência (ou nem isso). Da mailling list, grande parte não respondeu (já esperava!). Dos que responderam, a maioria disse que não podia porque já tinham compromissos com outros eventos. Uma pequena minoria respondeu…disse que aparecia por lá à hora marcada.

A grande surpresa foi o senhor Miguel Mateus …Mister Bike Men. Lá demos aquele abraço, à 4 anos que não nos víamos! Ele e a sua tribo do Oeste iniciaram o passeio, no mesmo local à mesma hora, mas num trajecto que não estava ao meu alcance. Foi bom rever o amigo.

Apenas quando o grupo do Mike partiu para os 75 km , é que vimos quem eram os companheiros que iriam passar as próximas horas juntas em cima das bicicletas. Restaram 5 elementos. O Francisco Caselli, o Luís Casacão, o Luís Oliveira, o Rui Marques e eu.

no fim da subida

 

Numa reunião rápida decidimos por unanimidade qual o percurso a realizar. O percurso 3 tinha uma extensão razoável para a forma física e as limitações de cada um. Os 75 km eram demais e os 50 km tinham a classificação de muito difícil…assim, optamos apenas pelo difícil e lá fomos para os 30 km .

Seguimos as marcações na esperança de passar por algum café. Deixamos o Centro, as Ferrarias e entramos nos trilhos sem casa por perto. As subidas, as descidas e o silêncio adivinhavam a dificuldade de encontrar o tal café. Chegados à primeira povoação – ABRUNHEIRA – lá encontramos um café, mas fechado. Daí seguimos o trilho até ao FAVACAL onde chegamos uma hora depois do início. Fizemos uma visita à vila, passamos por 3 “missionários” que em nome de Deus tentavam converter a população a não sei o quê e do café…nada. Fomos ao largo da igreja a abrigados do vento, fizemos a paragem para morfar umas sandes e dar uns golos nas bebidas energéticas para não embuchar.

Paulo e Rui

 

Rejuvenescidos e fortificados no local mais católico da povoação, retomamos o passeio. Voltamos a ser absorvidos pela floresta, pela magnitude das paisagens e pelas subidas e descidas que não pareciam acabar. Neste sobe e desce de montanha, envoltos ora por carvalhos, ora por eucaliptos e pinheiros, fomos parando várias vezes para bater umas fotos, para contemplar a paisagem, para meter a conversa em dia e …confesso… para ganhar fôlego.

 

Esquio – Capela abandonada

 

Aqui morava gente!

Chegamos à aldeia do Esquio. A aldeia totalmente abandonada fez-nos sentir como que fantasmas a deambular pelas ruínas. Visitamos a capela e parece que até Deus abandonou o local. Apenas as aranhas aproveitam a caixa de esmolas para fazer o seu abrigo. Nem uma moeda restou…se calhar, antes de nós, passou por aqui o FMI.

O trilho percorre a aldeia. Os telhados sem telhas, as janelas abertas, dizem que ninguém nos vem espreitar…podemos passar, invadir propriedade privada. Ninguém vem reclamar…ninguém…mas sim…aqui já morou gente!

 

Esquio

 

eu e a minha bike

 

apenas cinco

 

Como os antigos habitantes, deixamos os Esquio (triste sina a desta terra) e fomos pedalando até aos 830 metros de altitude. Em S. João do Deserto fizemos mais uma paragem para tirar a foto de grupo e para olhar para o horizonte. Curiosamente o local não estava deserto. Andava lá um motard com uma carapaça de todo o terreno à espera do socorro, porque a moto tinha avariado num caminho sem saída lá muito em baixo – “Compra antes uma bicicleta – pensei eu”.

De S. João do Deserto até ao Centro das Ferrarias foi quase sempre a descer. Um trajecto rápido, com um pequeno trilho em pedra e o resto em estradão. Nos últimos quilómetros, conseguimos furar duas vezes (Casacão e Rui) e partir uma corrente (Casacão).

No centro, tivemos direito a um banho que água bem quente de depois 3 imperiais e 2 bifanas para cada um.

Resumindo…UM EXCELENTE DIA DE BTT!

 

nas rochas por caminhos de cabras

os habitantes do local

Rui e o furo

 

a minha bike Single Speed

 

Mais informações dos centros de BTT

2011/03/09

II Passeio de Inverno – Abrigada – Montejunto

Filed under: BTT — mybtt @ 17:25

À cerca de um ano resolvemos ir dar uma volta de bicicleta em Salvaterra de Magos. Nesse dia combinamos um encontro do género, pelo menos 4 vezes ao ano (um por cada estação). Assim, esse passeio foi baptizado de "Passeio do Inverno " já que o dia foi um dia típico da estação.

Na Primavera o encontro realizou-se no Entroncamento e levou-nos a beber uma cervejinha em Constância.

No Verão bebemos a cerveja na Batalha, depois de andarmos por Alqueidão da Serra à procura de um tasco para beber um branquinho fresquinho.

No Outono fizemos um pic-nic no parque de merendas de Alcobertas.

Ainda à poucos dias, numa das minhas incursões ao topo da Serra de Aire, observei a planície ribatejana e as duas elevações que se descatam da paisagem. A Serra de Alvaiázere, aqui relativamente perto e a Serra de Montejunto. Veio ao pensamento, uma escalada áquele distante monte que sempre tem sido uma fronteira imaginária, pois das vezes que passei na A1 e olhava para Montejunto, pensava no que estaria do outro lado…será que havia mundo para lá? Haveria vida depois da serra?

Dia 06 de Março de 2011 o ciclo de passeio da temporada reiniciou-se…e logo em Montejunto! Pode confirmar que sim, que havia mundo para lá da serra (e que mundo)…também havia vida e corações a bater a 190 a bombar adrenalina sem parar. Grande mundo este, nesta serra que nos faz lembrar e sentir que é bom estar vivo.

Pois é, o ciclo reiniciou-se no II Passeio de Inverno. O encontro foi na Abrigada. Estacionamos o carro em frente ao quartel dos bombeiros…não havia parquímetro , sinal que o concelho não precisa de "sugar" o dinheiro dos contribuintes, e podemos estacionar sem pagar e sem grandes problemas em encontrar um lugar.

O início do passeio ocorreu após o café matinal. O tempo anunciava uma manha de Primavera…um dia sem grande frio, sem vento, com umas nuvens que poderiam transforma-se em chuva a qualquer momento e talvez por esse motivo os impermeáveis saltaram para as mochilas, não vá o diabo tece-las. Enfim, uma manha de Primavera que a qualquer momento poderia transformar-se num dia de Inverno.

Os primeiros quilómetros serviram para fazer o aquecimento nuns largos estradões que nos conduziram para a montanha e para o local onde realmente se nota que "aqui é realmente a subir" . Sim começamos a subir para o topo de Montejunto. Ainda disse para pararmos algumas vezes para não chegarmos muito cedo ao local de inicio do passeio e para apreciar a paisagem que se ía revelando no nosso horizonte, à medida que subíamos em altitude.

João Mendonça e José Carlos…a meio da subida

 

Na serenidade da montanha

 

Pausa para apreciar a paisagem

 

A paisagem

 

Moldados pelo vento

 

vale da cascalheira…percurso pedestre

 

vamos descançar um pouco?

 

quase no topo

 

Custou…mas chegamos

 

O mais complicado até chegarmos ao topo foi a subida a pé pelo Vale da Cascalheira (vi o nome no google). Foi o erro do percurso, a mancha negra do passeio, mas que nos permitiu ter outra visão da serra. Num próximo passeio por aqui, já sabemos que caminho tomar. Lá em cima e cansados da subida pedestre, passou uma carrinha da RTP. Ainda gritei…"HEI!…ESTAMOS AQUI……" mas fiquei sem saber quem eles procuravam. Pareceu-me que éramos as únicas almas vivas por ali. Se calhar foram fazer a manutenção a algum aparelho.

Junto à estrada de alcatrão…podiamos ter vindo de carro até aqui!

 

Demos a volta às antenas e às capelas. O nevoeiro conferia ao local um pouco de mistério e de magia, mas não nos deixou gozar a paisagem que certamente noutros dias, faria as delícias de quem sobe os 660 metros.

Além do nevoeiro, o vento que soprava gelava-nos, pelo que não conseguimos ficar muito tempo neste local. Deu para perceber o porquê de o nome de uma localidade ser "Abrigada". Certamente que voltaremos em melhores dias, mas no Passeio de Inverno, não poderíamos esperar outra coisa.

Iniciamos a descida com o alvo apontado para a Real Fábrica do Gelo. Não sabíamos muito bem onde isso ficava nem como seria, mas sabíamos, pelo track GPS, que havíamos de passar muito perto. Chegados à fábrica…o local é encantador. O parque de campismo, as tendas, a floresta e toda a envolvente. Uma pergunta vem à ideia…."Quem será o maluco que vem acampar para aqui num dia de inverno como este?"

A verdade é que o parque estava com uma boa lotação, a julgar pelo número de tendas armadas. Certamente que os campistas, legitimamente haveriam perguntado: " com tanto frio, quem serão os malucos que vem até aqui de bicicleta?"

- As duas faces da mesma moeda! Adiante…

As tendas davam um colorido especial a uma floresta de:

 

Junto à Real Fábrica do gelo

 

- "ó Paulo… alguém me sabe dizer que árvores são estas? "

- "Olhando para o chão, vendo as folhas que restam do Outono e para os ouriços…atrevo-me a dizer que são castanheiros"

- "Castanheiros…não pode ser. Eu tenho um castanheiro em casa e não é assim"

Atravessamos a magnifica mata de …"castanheiros?"…até à entrada da Fábrica do gelo, que…para receber as visitas estava fechada a cadeado. Voltamos para a mesa que tínhamos reservado (não estivesse a sala de jantar lotada) e sacamos do reforço alimentar. Como o frio era demais, não tivemos com grandes cerimónias. Comemos, tiramos a foto de grupo e voltamos a descer para a Abrigada (local sem vento…onde o dia era mais primaveril que aqui em cima).

Os quatro mosqueteiros

A descida, com algumas subidas foi feita num ritmo alegre de quem gosta destas coisas de trilhos com pedras à PNSAC. A semelhança entre as montanhas são evidentes, e os "cabras do PNSAC" sentiram-se verdadeiramente em casa, especialmente quando se cruzaram que os seres … donos destas encostas.

Encontro de 4º grau

Chegados à Nacional 1 (ainda sem portagens!….), demos descanso aos travões e suspensões num rolar sereno e com um sorriso de quem tinha a missão quase cumprida.

Passamos por duas moças da vida, que nos convidaram para…"um agradável momento", mas com o cansaço dos mais de 35 km associado ao acumulado das subidas, a terceira perna não ía funcionar na perfeição e as moças teriam que fazer horas extras.

Já na Abrigada, a missão estava cumprida. Uns alongamentos, seguidos do tradicional levantamento do copo acompanhado por frango assado.

Apesar do frio, conseguimos transpirar. Quanto à chuva, essa que assusta alguns ciclistas e os leva a ficar em casa…nem uma gota!

Aos quatro mosqueteiros, fica a promessa de mais um encontro a realizar brevemente.

 

Os quatro mosqueteiros:

João Mendonça, Luís Oliveira, José Carlos, Paulo Martins.

 

2010/09/01

20100829 – Em volta do Aqueduto de Pegões

Filed under: BTT,Geocaching — mybtt @ 14:19


O Aqueduto

Quando se fala em monumentos e locais para visitar aqui nas redondezas, a primeira imagem que me aparece na cabeça é o aqueduto de Pegões, ali nas “traseiras” de Tomar.

É uma grande obra da engenharia quinhentista como existe poucas no Ribatejo e até mesmo em Portugal! A grandiosidade de mão dada com a elegância dos arcos faz deste aqueduto, quanto a mim, e agora que a expressão está na moda, uma “Maravilha de Portugal”.

Como o grupo já tinha falado numa visita de bicicleta ao aqueduto de Pegões, preparei o percurso e fui um pouco mais longe. Além do aqueduto, fomos visitar uma das nascentes de água que “alimentava” o aqueduto e por sua vez o Convento de Cristo.


A entrada da nascente

Das quatro nascentes existentes, esta é a segunda que visito e a primeira (Vale da Pipa) pareceu-me ao abandono. Na Nascente da Porta de Ferro, o cenário não é mais animador.

O defeito é meu! Sou maluco em pensar que podia haver placas indicativas de direcção e chegado ao local…algum painel informativo. Não…apenas me deparei com um amontoado de silvas que cobriam parte da construção e só soube que estava no local certo quando vi a porta de ferro e lá dentro o som da água a correr.

Entramos e os inquilinos do local (um casal de andorinhas) sentiram-se bastante incomodados com a nossa presença.

A verdade é que do local, mal conservado (leia-se…ao abandono), poucos conhecem a sua existência e muito menos a sua localização. Mas é um facto que as nascentes foram a chave do sucesso do aqueduto – se não houvesse água o aqueduto nunca tinha sido construído.


Luis a espreitar por onde ela corre


A Porta de Ferro

Da nascente lá fomos até ao Vale dos Pegões, onde o aqueduto se apresenta com todo o seu esplendor. Chegados lá, subimos o pequeno vão de escadas para observar a parte superior e ao entrar na mãe de água de um dos extremos o espectáculo era digno. Se por um lado a paisagem cortada por obra tão grandiosa era digna de se ver, por outro lado…as paredes da galeria cheias de rabiscos feitos por não sei quem. No chão…havia garrafas vazias, restos de uma festa animada onde alguns dos foliões tiveram vontade de defecar e cagaram mesmo ali, na pia, outrora destinada à decantação da água. No tecto ainda permanece a Cruz dos Templários.

Sim…queira ver um aqueduto com uma envolvente, senão ajardinada, pelo menos limpa de mato. De preferência com alguma iluminação nocturna e sem fezes nem lixo acumulado. O que pensará o turista estrangeiro que sobe as escadas da galaria para contemplar a obra? Vê um monte de lixo e os cagalhões no meio da sala…qual a imagem que leva dos portugueses e do nosso património?

• Parabéns ao Filipe Terzio que em 1593 iniciou a construção do aqueduto.

• Parabéns ao Pedro Fernando de Torres que em 1614 conclui a obra … está quase a fazer 4 séculos de existência.

• Aos turistas que visitam! Desculpem lá qualquer coisinha, mas em parte, é o espelho do país.


Entrada para a parte superior do aqueduto


O tecto

Bom…de volta à bicicleta…continuamos o caminho ao lado do que resta do aqueduto. O Rui ainda comentou que se algum maluco se lembra de levar umas pedras para casa ninguém dá por nada, nem ninguém se chateia.

Chateio-me eu…e de cada vez que passar por aqui…vou parar, tirar umas fotos e apreciar esta maravilha de Portugal (de um Portugal assim…………….. já a tender um pouco para o interior).


Quase no Entroncamento, quase com 50 km nas pernas

2010/08/17

Passeio de Verão – Batalha – 15 de Agosto de 2010

Filed under: BTT — mybtt @ 09:08

Quando se fala na Batalha, lembro-me da padeira! A heroína de outros tempos (parece que matou sete castelhanos) com determinação e bravura.

Não acredito muito nesses episódios da nossa história. Penso que os castelhanos se esconderam dentro do forno (quem é que num cenário de guerra vai procurar o inimigo dentro do forno comunitário?) e no meio da confusão…a padeira ouviu um “track” de algum cu traiçoeiro, vai daí…espreitou para dentro do forno, viu lá os homens, fechou as portas do forno e vai de acender o lume. Os castelhanos primeiro aqueceram um bocadinho e depois começaram a assar em agonia e lá ficou conhecida a padeira pela sua bravura. Claro que na altura não se falava em “Direitos Humanos” nem havia organizações humanitárias nem tribunais de guerra.

Hoje é tudo muito mais civilizado!

Os fornos têm ventilação, temperatura e humidade controlada e as padeiras já não têm “pêlo nas ventas”…vão à manicure, pedicure, cabeleireira e fazem a depilação ao fim de semana!

Por falar em lume…Portugal tem estado a arder! Este ano, os incendiários combinaram em arder o norte de Portugal. Bêbados, drogados e atrasados mentais…são apanhados em flagrante pela policia e são libertados mais depressa por juízes. Afinal um alcoólico não sabe o que faz (especialmente se estiver com o “grão na asa”) e por isso não podem ser condenados pelos seus actos. Mas esta gente emigrou toda para o norte e felizmente estas matas e florestas têm escapado aos incêndios, e a prova que os bêbados emigraram é que fomos a 3 tascas em Alqueidão da Serra e nenhuma tinha vinho branco. Mesmo que quisesse apanhar um pifo durante esta volta de bicicleta…não tinha conseguido!

Acredito que os incêndios são um grande negócio para uns quantos e como hoje já não temos castelhanos nem mouros para guerrear, acho que os incêndios são o pior inimigo do país e os incendiários os verdadeiros terroristas.

Talvez com o início do campeonato de futebol (que começou este fim de semana) as coisas acalmem e apenas se fale em bola, bola, bola e tudo o resto é esquecido.

 

Hoje, além do futebol, também falaram de bicicletas. O David Blanco ganhou mais uma edição da volta a Portugal em bicicleta. Aquela volta que era ser a Portugal, mas onde o sul foi esquecido. Eh!…também, o Alentejo é um deserto! Não ia haver ninguém para aplaudir os ciclistas e no Algarve, aquilo “tá” cheio de turistas que é impossível cortar qualquer estrada para as bicicletas passarem.

Olha! E por falar em bicicletas…hoje foi o nosso passeio de Verão. O local escolhido foi a Batalha. Chegamos à Batalha às 8:30 conforme combinado (pontualidade britânica), bebemos café, dois dedos de conversa e quando o sino da igreja (ou do mosteiro) tocou as nove badaladas iniciamos este passeio de bicicleta.

Quanto à hora de chegada, ninguém sabia. Os trilhos, toda a beleza envolvente e as conversas ao longo do caminho não têm relógio. Sim! Viemos à Batalha mas não foi para lutar contra o tempo. Começamos às nove e sem hora para acabar!

Ainda pensei que a luta tinha sido contra o cansaço, contra os 36º C, contra as subidas e algumas descidas. Estava enganado! No final e com um sorriso de orelha a orelha percebi que não lutei contra nada, mas sim, que abracei e andei de mãos dadas com todas estas dificuldades. Afinal é tudo isto que tornam os passeios por estas bandas inesquecíveis.

Fomos da Batalha ao Reguengo do Fetal e daí para Alqueidão da Serra. Percorremos estradas, estradões, caminhos de cabras (cabrilhos) e singletracks. Andamos por sítios que não lembra “ao Diabo”…fizemos subidas que não pensávamos que conseguíssemos subir e descidas que nos pareciam impossíveis de descer.

Visitamos moinhos de vento, antenas e geradores eólicos. Vimos o Castelos de Porto de Mós lá muito em baixo, percorremos caminhos romanos e florestas de contos de fadas.

  • Foram 40 km de loucura
  • 1000 de acumulado
  • Muita pedra pelo caminho
  • 4,5 litros de água
  • E a promessa de voltar.

 

Não foi um passeio qualquer, não! … Foi um passeio no PNSAC.

 

Tive o prazer de partilhar estes trilhos com:GPSies - Alqueidão da Serra

  • João Mendonça – Afinal não são só os Romanos que são loucos…
  • Luis OliveiraBTT - Branco Traçado pra Todos
  • José Carlos – Forasteiros…o PNSAC é com ele
  • Capitão Fantasma … oh captain, my captain
  • Fernando – pelo que vi…outro guru do Reguengo

 

 

 

Deixo aqui algumas fotos…: FOTOS

 

2010/07/24

20100718 – Volta aos Moinhos da Pena

Filed under: BTT — mybtt @ 12:04

Aos moinhos da Pena

 

 

O homem desde sempre, e sempre que possível, utilizou as energia renováveis para realizar as suas tarefas. Os moinhos, tanto de água como de vento, são os melhores exemplos disso.

Já sem as velas ao vento, grande parte dos moinhos de vento nesta região estão em ruínas. Ao lado desses destroços têm “nascido” a nova geração de moinhos de vento – os geradores eólicos -, já que as energias renováveis estão na moda. Não só as energias renováveis mas tudo o que seja menos poluente – em nome do futuro –

Penso como ficaram estes gigantes daqui a uns 50-60 anos quando for encontrado algum com menos impacto visual e com mais eficácia energética (e mais vantajoso economicamente). De repente nasceu o desejo de passar uma noite lá em cima, num daqueles enormes geradores eólicos.

No que respeita aos moinhos de vento, e se grande parte estão em ruínas, outros estão bem conservados ou a serem restaurados. É o caso dos Moinhos da Pena em que é possível passar o dia (e a noite) no interior do moinho permitindo ao visitante uma estadia num local calmo, algo ventoso e longe da confusão urbana.

 

Da mistura de turismo, passeio, transportes não poluente e moinhos, nasceu esta volta de bicicleta.

Sendo uma volta já um pouco crescida (aproximadamente 50 km ) é preciso um pouco mais de preparação (ou um pouco mais de tempo).

Os trilhos têm descidas rápidas, algumas subidas, estradões e algumas partes mais técnicas com a pedra a dar um ar da sua graça (um cheirinho a PNSAC – Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros). Sem dúvida é uma das minhas voltas favoritas.

 

Como hoje era dia de andar de bike e este ano ainda não tinha ido aos moinhos da Pena, lá fui com o Luis Oliveira e o João Mendonça, por esses trilhos fora.

Muitos coelhos, algumas aves de rapina, paisagens a perder de vista e os moinhos. No regresso e como a temperatura já estava algo alta, refrescámo-nos com água ali para os lados das Moreiras Grandes e com o BTT – Branco Traçado p’a Todos na Barroca.

 

Encontramos o Abel…colega do ciclo…e á quantos anos não o via.

 

Ficam aqui algumas fotos da volta.

 

Passagem na Quinta do Marquês, a quinta com o palácio mais bonito da região

 

João Mendonça a dar-lhe gás

 

Luís no inicio do trilho de pedra

 

A pensar: " Estes gajos são malucos. Já tenho idade para ter juizo"

 

Chegados aos Moinhos da Pena

 

Reabastecimento liquido na Fonte de São João – Moreiras Grandes

Para refrescar o dia

 

Vai um mergulho…

 

Tá-se bem…

 

Gráfico da altimetria

2010/06/05

20100523 – Passeio da Primavera

Filed under: BTT — mybtt @ 20:08

 

Quando cheguei à Figueira da Foz andava um sujeito jovem a pregar isto:

«Vou-me drogar! Injectar-me todo!!!

Não tenham medo. Vou partir numa viagem para o inferno!»

Com alguma tristeza, esbocei um leve sorriso e murmurei baixinho:

«Pega antes numa bibicleta e vai dar uma volta ao paraíso, não tenhas medo »

Durante o almoço, não consegui parar de pensar naquele lamento e numa explicação de onde fica o Paraíso.

O paraíso para quem anda em cima de uma bicicleta, são todos os locais onde vamos na companhia dos amigos e em conjunto não podemos deixar de apreciar o local. Pode ser o silencio no cimo de uma serra ou o arrastar dos pneus ao longo de uma acentuada descida. O paraiso é onde nos sentimos bem naquilo que gostamos de fazer. São todos os locais onde podemos dizer: " Aqui sou feliz".

O paraiso é nos Alvados, em Alcobertas ou no Reguengo do Fetal. Na Nazaré, em Alcobaça, Monsanto ou Porto Covo. Aqui no Entroncmaento, em Idanha, Portalegre na Fig da Foz e até mesmo no Purgatório. O paraiso pode ser em todo o lado…é onde nos sentimos bem por esse trilhos fora.

Para mim, este Domingo, o paraiso foi entre o Entroncamento e Contância, num passeio a que chamamos – Passeio da Primavera – , afinal ainda os campos estão floridos e mesmo que não estivessem , a alergia não me deixava esquecer que era na verdade a Primavera.

Depois de encontrada uma data que servisse a todos (o mais dificil), lá se marcou o evento e à hora marcada todos os betetistas esperados estavam presentes.

O Luís Quental, o José Carlos, o Franciso, o João Mendonça e eu. Prontos para uma voltinha até Constância.

Saímos do Pavilhão do Entroncmaento, passamos por toda a zona desportiva em direcção ao Bonito e chegamos à Atalaia onde a par do Caminho Central Português (Caminhos de Santiago) fomos até perto da Fonte da Atalaia. Pelo eucaliptal adentro e com algumas paragens para meter a conserva em dia e para descançar , que isto de pedalar também cansa, chegamos a Constância onde depois de uma passagem pela vila, sentamo-nos à beira rio a beber uma hidratante e merecia cerveja.

Apreciamos os dois rios. O Tejo, o Zêzere e as canoas que na foz faziam "peões" dada a força da corrente e a falta de experiência dos canoistas. Falou-se num mergulho nas águas limpidas do Zêzere, mas a temperatura da água ainda não era convidativa (leia-se…ninguem teve tomates para um mergulho). Por fim…cumprimentamos o Camões e seguimos o nosso caminho.

Se a primeira parte do percurso foi feito no meio de eucaliptos, com passagem em alguns campos floridos, afinal era o Passeio da Primavera, a segunda parte (o regresso ao Entroncamento) foi o passeio da guerra, pois quase todo o percurso foi feito ao lado de terrenso militares. Passamos pelas traseiras do aeroporto, onde viaturas militares jazem moribundas à espera da derradeira viagem para o ferro velho, passamos por trincheiras devidamente camufladas quase ao lado do Castelo de Almourol e pelo moinho pertencente à Escola Militar de Engenharia, que deve de estar a estudar a maneira de o por a funcionar sem velas.

Depois…depois dos 46 km, foi a chegada ao local da partida, onde o apetite por mais uma fresca cervejinha apareceu e lá fomos matar a sede.

Concluindo… foi um bom passeio. Melhor que qualquer viagem que o jovem da Figueira possa ter feito naquela manhã.

Por isso, continuo a pensar…não tenham medo…venham pedalar connosco.

 

Deixo aqui algumas fotos…as outras, estão aqui: FOTOS

 

Passagem pelo Bonito – o local mais verde do Entroncamento

 

no eucaliptal da Barquinha – pedalam que se fartam

 

com medo de molhar os pézinhos (foi o grupo todo…)

 

Marco geodésico – o Passa Fome, vai se lá saber porquê

 

Vista de cima

 

Vista do posto de vigia

 

mostrem lá como se desce…

 

Donwtown em Constancia

 

Finalmente a hora da hidratação

 

Observando o Castelo de Almourol

 

O Castelo de Almourol

 

Olha para mim aqui…

 

e pronto…chegamos ao fim

2010/03/17

Fratel – Entroncamento 11-03-2010

Filed under: BTT — mybtt @ 23:00

Tudo parecia um dia normal. Levantei-me às horas que normalmente me levanto, tomei o pequeno-almoço como sempre faço e fui para a estação apanhar o comboio, como normalmente faço. O dia só deixou de ser normal quando em vez de seguir no comboio da linha 5 rumo a Oeste, embarquei no que estava na linha dois em direcção a Leste.

Depois de instalado com a comodidade possível, chegou o Pisco o Mendonça, o Almeida e o Leitão e o dia começou realmente a ser diferente.

O comboio à hora programada partiu em direcção a Castelo Branco. Percorrer a Linha da Beira Baixa entre a Barquinha e Vila Velha de Ródão sempre foi e sempre será, uma verdadeira delicia. O caminho-de-ferro acompanha o percurso do rio. As paisagens de montanha e os seus reflexos nos espelhos de água das barragens, as pontes, os castelos e toda a envolvente fluvial fazem da linha da Beira Baixa uma das mais bonitas do país e tornam este percurso verdadeiramente turístico.

Chegados à estação do Fratel, deixamos o comboio e começamos a outra viagem. O trajecto adivinhava-se difícil, pois a única saída da estação era a extensa subida que nos levava à localidade com o mesmo nome.

À medida que subíamos aumentava o campo de visão sobre o Tejo e a outra margem bem como a sensação de como somos pequenos! O resto…era o caminho que tínhamos que percorrer até chegar ao Entroncamento. Um caminho 90% deserto para bem dos ciclistas que revelava o abandono do interior num progresso onde o futuro parece estar nas grandes cidades, especialmente as do litoral.

Não conseguimos ver muita gente ao longo do percurso. Casa abandonadas e uma auto-estrada que trouxe uma maneira fácil de partir. Os campos, outrora cultivados estão ao abandono. Dos olivais nasceram eucaliptais e até os pinhais quase desapareceram. Cresce o mato fruto de sucessivos incêndios que também impedem de vingar árvores de grande porte. Apenas a abundância de água deste Inverno faz brotar uma outra vida. A natureza insiste em não ser tristeza e os verdes campos estão coloridos por outras cores mostrando a alegria da chegada da Primavera.

A natureza insiste em não emigrar. Apenas a água teima em passar, seguindo o seu rumo quase sem hesitar num caminho sempre a descer, direito ao rio, direito ao mar, para um dia de novo voltar e percorrer o mesmo caminho.

E nós lá íamos. Fratel, Barragem da Pracana, Ameixial, Envendos, Vale de Coelho, Furtado e Mação onde fizemos a primeira paragem para um almoço no restaurante – O Godinho – . Almoçamos bem e seguimos para o Penascoso, Mouriscas, Alferrarede, Abrantes, Rio de Moinhos, Constância, onde fizemos uma segunda paragem para cumprimentar o Camões, Barquinha e quando dou por mim, estava a tirar a máquina fotográfica do bolso para “apanhar a placa que dizia “ENTRONCAMENTO” para suspirar de alivio….”cheguei!”.

Pedalei…pedalei e da placa nada! Querem lá ver que tiraram o Entroncamento do mapa. Querem lá ver que ao fim de 98 km…não consigo chegar ao Entroncamento. Porra! Era só mais uma foto. A ultima do dia! Mas lá percebi que não havia placa nenhuma e desiste da dita foto.

Quanto ao passeio…fui envolvido no espectáculo que me foi oferecido ao longo deste mais de 90 km pelo interior português. Um interior onde reina a paz e é muito agradável andar de bicicleta. Voltarei um dia, para tal como a água…percorrer os mesmo caminhos.

Obrigado aos meus companheiros de viagem. Estão abertas as inscrições para um Lisboa –Entroncamento.


A estação do Fratel – o inicio da nossa viagem


Tejo em pano de fundo


Barragem da Pracana


Praia Fluvial da Ribeira de Eiras


No Mação


Cheguei à guerra


Alta velocidade


Constância


Caminho rural


Luis Vaz

2010/02/25

III Passeio Almourol à Vista – 20 Fevereiro 2010

Filed under: BTT — mybtt @ 22:24

III Passeio Almourol à Vista

Passeio de Família

 

A eminência de chuva afugentou os mais medrosos e apenas compareceu os guerreiros mais destemidos. 4 Mulheres, o guia – (eu) e 2 homens (avô e neto).

Corajosamente, às 9:00 da matina lá estávamos os 7 preparados para iniciar este passeio. Depois dos supostos “verdadeiros” betetistas iniciarem a prova (leia-se passeio) – para verem quem chegava primeiro, lá fomos nós. Sem pressas e sem medo da chuva que teimava em não cair, contrariando assim todas as previsões.

Das piscinas da Moita, seguimos para a Atalaia.

Vila bastante antiga fundada pelos Mouros no séc. XI, fizemos a primeira paragem na capela da Atalaia (Capela do Senhor Jesus). Sendo este um dos ponto mais altos da vila, também é referido nos roteiros como miradouro e de facto é possível avistar toda a encosta leste da serra de Aire, o Entroncamento em primeiro plano, e o Tejo a serpentear pela lezíria ribatejana.

Depois desta paragem seguimos para a Igreja Matriz da Atalaia. Mandada edificar cerca de 1528 por D. Pedro de Meneses, trata-se de um edifício quinhentista, joanino com azulejos do início do séc XVII. É classificada de monumento nacional desde 1926.

Com as reclamações da malta mais pequena a ansiar por poças de água e lama, deixamos este roteiro católico e rumamos para fora do alcatrão. Seguimos paralelamente à linha ferroviária do Norte, até quase à linha da Beira Baixa. Os participantes divertiam-se à grande e em cada poça de água fazia-se uma festa. Afinal tinham descoberto o BTT da água e da lama. Os sorrisos eram imensos…como é bom ser-se criança!

Passamos por escavações arqueológicas e pela explicação de vestígios do paleolítico em toda esta zona da ribeira da Atalaia e quase sem dar-mos por isso…chegamos à primeira subida…que a vida não é fácil (mesmo montado numa bicicleta). Se a subida foi feita a pé com as bicicletas à mão, ou montado… não digo. É um segredo meu e dos participantes.

Passamos pelo campo de futebol da Atalaia. Relvado…e eu até pensava que nem havia gente para jogar à bola por estas bandas. A relva parecia estar viçosa e bem cuidada. Seguimos até ao antigo matadouro da Barquinha, passamos pelo Pedregoso e já com o estômago e os músculos a reclamarem por alimento fomos pelo Caminho Central Português. Aquele que nos leva da Sé de Lisboa até Santiago de Compostela. Veio alguma explicação, mostrou-se as marcas do referido Caminho e sob o olhar das cegonhas que faziam as delícias das miúdas chegamos finalmente ao abastecimento na Quinta da Cardiga, antiga e importante fortificação, cheia de história e parece-me … sem futuro (que triste é dizer isto!).

Umas sandes, um sumo e o reconfortante esticar das pernas. Ainda contamos as cegonhas, as pessoas que passavam e as ovelhas a pastar. Observámos o Tejo, tocamos a sineta da capela e depois fugimos…para não nos chamarem nomes. Fugimos para o Parque Ribeirinho da Barquinha e apesar do cansaço ainda houve vontade para andar no escorrega e no baloiço. Aqui o tempo parece que pára com os miúdos a divertirem-se. Esquecemo-nos um pouco do relógio até para não sermos os primeiros e não envergonharmos os “grandes” betetistas dos 35 km .

Por entre escorregas, baloiços, cegonhas e arqueologia. Quintas, capelas, igrejas, comboios e o Tejo…foram 20 km .

20 km de BTT com lama, água, e muitos, muitos sorrisos. Sem duvida que foi o passeio com mais alegria e sorriso por km que eu alguma vez já fiz.

Pensando bem…não poderia ser de outra forma. Afinal o mundo é das crianças e como é bom quando uma criança sorri…

 

Esta foi uma pequena descrição do nosso passeio. E o tu? O que viste no teu passeio?

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